Boletim OBS 6

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Boletim OBS nº 6

Autores e Artigos

Maria de Lourdes Lima dos Santos, Editorial

 

Rui Telmo Gomes, Exercitar o nosso refúgio (entrevista a João Brites)

 

Luís Vicente Baptista, Território e cultura saloia: a construção de (uma) identidade local?

 

Lina Antunes, Das artes e ofícios tradicionais: contributos para um estudo do enquadramento normativo legal

 

Data de Edição: 01-06-1999  -  ISSN: 0873-8831  -  Depósito Legal: 111894/99

Nº de Páginas: 24  -  Tiragem:  1500 Exemplares 

Formato: 18x29,7  -   Preço: Esgotado

 


 

Autor

Maria de Lourdes Lima dos Santos

 

Título do Artigo

Editorial

Páginas: 2-4


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Autor

Rui Telmo Gomes

 

Título do Artigo

Exercitar o nosso refúgio (entrevista a João Brites)

Resumo: Neste número 6 da OBS dá-se início a uma nova rubrica, em que serão apresentadas entrevistas a diversos protagonistas no domínio da cultura. O primeiro convidado foi João Brites, responsável do grupo de teatro "O Bando" e da "Unidade de Espectáculos da Expo'98". Os temas debatidos foram desde um ensaio de balanço da Exposição, um ano após a sua realização, até à reflexão sobre um novo ciclo que agora se anuncia na existência do grupo, com a deslocação para a sua nova sede em Palmela.

Páginas: 5-9  -  Palavras-Chave: Teatro - Criadores - Expo 98


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Autor

Luís Vicente Baptista

 

Título do Artigo

Território e cultura saloia: a construção de (uma) identidade local?

Resumo: Enredado no fenómeno da metropolização e na redefinição dos usos económicos, sociais e simbólicos dos espaços que estão ligados a esta problemática, o tema "Saloios" reemerge aparentemente de forma anacrónica e despropositada. Será que assim é? O que estará por trás da afirmação pública de uma cultura local tão antiga e afinal ainda actual, territorialmente a (re)definir? O que fará desta temática um importante requisito discursivo entre alguns interventores políticos e culturais dos concelhos fronteiriços de Lisboa? Tais questões parecem-nos relevantes, tanto mais que a discussão que nos últimos anos foi lançada em torno das competências e dos deveres de Estado, da participação generalizada dos interventores locais, privados e públicos, e dos efeitos práticos da globalização nas cidades, que se querem competitivas, ganha um lugar de destaque nas preocupações das Ciências Sociais. É pois neste cenário que somos levados a pegar no polémico tema da cultura saloia que, embora refriado pela reconfiguração física e populacional dos arredores, graças à instalação das formas mais visíveis de cidade nos campos em redor, ainda hoje remete para fortíssimas emoções na representação de Uns e Outros. A disputa entre próximos, Alfacinhas (os de Lisboa) e Saloios (os dos arredores), está presente no imaginário colectivo nacional sobretudo devido às imagens produzidas na capital portuguesa a propósito dos arrabaldinos. Por ora, com base em algumas fontes literárias e documentais, procuramos estabelecer um conjunto de interrogações que se pretendem pertinentes para uma futura análise. De que modos se reconvertem construções sociais mais ou menos duradoiras, como é o caso do saloio representado literariamente até momento recente? Como se estabelecem as condições que favorecem a coexistência de apropriações contraditórias, eventualmente de sentido oposto e referentes a tempos distintos? Através de que formas se produzem e se fazem difundir as imagens daquilo que é saloio? Em que circunstâncias se efectiva esta duplicidade de entendimentos de uma mesma matéria de análise - e diríamos mais - de uma mesma matéria de análise que se modifica e amplifica em "territórios e populações imaginários" distintos?

Páginas: 10-16  -  Palavras-Chave: Identidade - Representações - Território


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Autor

Lina Antunes

 

Título do Artigo

Das artes e ofícios tradicionais: contributos para um estudo do enquadramento normativo legal

Resumo: Falar de artesanato, ou antes apresentar uma única definição é, senão impossível, problemático, na medida em que nos remete para diferentes saberes e referentes culturais, para uma pluralidade de objectos e actividades. Faz parte do imaginário colectivo pensar o artesanato como expressão de tradições populares regionais, associando-o à arte popular, pelo que muitas vezes ouvimos designá-lo como "arte menor". Progressivamente esta concepção restrita deu lugar a outra, em que o critério de criação artística assume um papel importante, flexibilizando-se as fronteiras entre arte e artesanato. As artes e ofícios tradicionais constituem uma forma de reprodução de um ou vários modos de saber, com reflexos em modelos diferenciados de ensino e aprendizagem. Quer se trate do campo artístico propriamente dito ou do artesanato, a articulação entre os diferentes tipos de saberes torna-se fundamental na medida em que é da troca desses aprendizados concretos que é possível, por um lado a evolução de cada um dos campos, designadamente na utilização de novos materiais, formas, cores e, por outro lado (e em última instância), o aproveitamento que é feito das novas tecnologias para as diversas artes. Têm-se evoluído no sentido de colocar em confronto os diferentes saberes recuperando-se modelos de conhecimento e integrando tendências modernas, resultando da sua conjugação e renovação e desenvolvimento das condições técnicas e humanas de produção. Ao falar de artesanato como campo heterogéneo e que deve ser problematizado em torno da ideia de ofício, torna-se necessário entendê-lo enquanto "modo de aprendizagem e de vida que se entretecem alimentando uma cultura incorporada de reprodução e preservação " (Helena Santos). Encontramos aqui a distinção entre as noções de artesanato tradicional e as novas formas de produção (artesanal, artística, de artesanato, urbano ou moderno) ainda que nem sempre as suas fronteiras sejam facilmente identificáveis e estanques. É a partir desta indefinição que no presente artigo se procura apresentar, de uma forma sintética, alguns elementos para o entendimento do enquadramento normativo desta realidade.

Páginas: 17-22  -  Palavras-Chave: Artes tradicionais - Ofícios - Artesanato


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